© 2021 / 2026 - SINPACEL: Sindicato das Indústrias de Papel, Celulose e Pasta de Madeira para Papel, Papelão e de Artefatos de Papel e Papelão do Estado do Paraná.
Artigo por Nilton Saraiva*
Com o cenário extremamente incerto em que vivemos, de repente tudo que previmos para 2022 precisa ser revisto. Uma guerra em território europeu era inimaginável até pouco tempo – e agora é uma realidade violenta e temível. Mais do que nunca, o termo “Mundo VUCA” (volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade) se aplica ao nosso dia a dia – e certamente nos afetará ainda mais ao longo do ano, desde os altos custos da matéria-prima até a revisão de mercados e efeitos da inflação.
Diante desse desafio, mais do que nunca a Ibema quer aplicar sua criatividade, adaptabilidade e determinação na busca por novas soluções. E sabe qual o segredo para isso?
No livro “Good to Great – Empresas feitas para crescer”, Jim Collins chama a atenção para o fato de que as empresas de maior sucesso têm como principal característica a busca incessante pelos melhores talentos, pois são eles que trarão as soluções para os novos problemas. E nós acreditamos nisso: as pessoas certas, com a atitude certa, conseguem resolver questões cada vez mais inusitadas e até surpreendentes.
Apesar de tudo isso, nosso segmento de papelcartão segue com tendência positiva no longo prazo, dadas as necessidades de mudança de hábitos na busca por produtos mais sustentáveis e aderentes às necessidades de um mundo que busca soluções para as mudanças climáticas.
Minha posição se baseia em quatro macrotendências. Primeiro, a demanda global por papel segue aquecida, após momento de escassez em 2021, que chegou a trazer dificuldades para embalar produtos. Nós fazemos questão de priorizar os nossos clientes brasileiros neste cenário, afinal, temos o compromisso de abastecer o mercado doméstico.
Em segundo lugar, existem diversos investimentos na indústria brasileira por meio de iniciativas que envolvem a economia circular. E aquelas que se anteciparam e ditaram tendência com a oferta de papéis reciclados e recicláveis saem na frente. O end user tem a necessidade de se engajar nesses projetos, seja pela legislação ou pressão do próprio consumidor.
Na Ibema, temos vantagem no contexto da logística reversa, pois nossas duas fábricas se complementam. Em Embu das Artes (SP), fabricamos produtos com a maior quantidade de resíduo pós-consumo do mercado, numa unidade muito bem posicionada, tanto industrial quanto geograficamente. E em Turvo (PR), temos a fibra virgem no DNA, o que abastece a cadeia com papel virgem que dá início a novos ciclos de reciclagem. Ao longo de 2020 e 2021, estruturamos o nosso portfólio de modo a valorizar essas duas frentes.
A terceira macrotendência é a adequação ao ESG (ambiental, social e governança, em tradução livre do inglês), que trouxe vantagens competitivas para quem já estava alinhado aos três quesitos. Dentro desse contexto, somos pioneiros em ações ambientais como o bom uso da água e aterro zero, e trabalhamos muito com e para pessoas, seja na retenção de talentos, no próprio alinhamento interno ou na relação e desenvolvimento das comunidades ao nosso redor. É bom lembrar que as mudanças climáticas colocam em xeque todo tipo de indústria, e esse é um desafio que precisamos enfrentar juntos.
Algo fundamental para darmos sentido a esse movimento foi a revelação do nosso propósito de embalar o futuro. Mudamos a maneira de nos relacionarmos, com a humildade de admitir o que não sabemos e abertos para a troca de informações constante.
Por fim, o quarto quesito é a transformação digital da indústria, seja por meio da implementação de um ERP mais moderno como o SAP, que nos trouxe soluções em nuvem de última geração, a série de iniciativas de simplificação de processos internos e de melhoria da experiência do cliente ou ainda pela adoção de ferramentas digitais que aprimoram a relação com o mercado.
A percepção do nosso papel na sociedade, como indústria, agente econômico, protagonistas do setor de embalagens, empregadores e geradores de tendências e inovação nos impulsiona para o futuro e permite projetar o crescimento do setor em 2022, mesmo em um mundo de cabeça para baixo.
*Nilton Saraiva é CEO da Ibema.
Sobre a Ibema: Gerar valor de maneira sustentável por meio da fabricação e distribuição de produtos que conquistem a preferência dos clientes, contribuindo com iniciativas que favoreçam toda a cadeia, com a dedicação e preocupação de garantir o melhor resultado para a empresa e seus clientes. Esta é a missão da Ibema, fabricante de papelcartão, que permeia a sua atuação com base no conceito de foco do cliente. A empresa, fundada em 1955, é hoje um dos players mais competitivos da América Latina. Sua estrutura é composta por sede administrativa localizada em Curitiba, centro de distribuição direta em Araucária com área útil de 12 mil m2 e fábricas instaladas nos municípios de Turvo, no Paraná, e em Embu das Artes, em São Paulo, que juntas possuem capacidade de produção anual de 160 mil toneladas. Em seu portfólio, estão os melhores produtos, reconhecidos pela qualidade e performance na indústria gráfica. A empresa, que atualmente conta com aproximadamente 700 colaboradores, possui unidades certificadas pela ISO 9001, pela ISO 14001 e pelo FSC (Forest Stewardship Council). Para mais informações sobre produtos e serviços, acesse o nosso site, disponível também nos idiomas espanhol e inglês: www.ibema.com.br.
Fonte: Smartcom
Por Fernando Wagner Sandri
Você pode ser adepto a tecnologia, preferir livros digitais, agendas em telefone e e-mails, sites e blogs em vez de jornais e revistas impressos, mas ainda assim o papel faz parte do seu dia a dia. Seja em documentos, no dinheiro ou nas embalagens dos produtos que você consome.
A versatilidade do papel e suas muitas aplicações é tamanha que seu fabricante, o papeleiro, tem fundamental importância para o setor econômico, social e ambiental. Por isso, desde 2008 celebra-se no dia 20 de setembro, o Dia Nacional do Papeleiro.
“O papeleiro e os seus produtos estão presentes em todos os lares do Brasil. Ele tem uma função muito estratégica para a sociedade porque atua não só na fabricação do papel em si, mas na inovação para a criação de produtos similares que venham de fonte renovável, na sua reciclagem e na economia circular como um todo”, conta Fernando Wagner Sandri, diretor de tecnologia da IBEMA e Diretor técnico do SINPACEL.
Para quem ainda dúvida dessa importância, a prova veio no início de2021, quando, sob influência da pandemia da COVID-19 e do cenário vivido em 2020, com os catadores de materiais recicláveis em casa e as indústrias paralisadas ou com as atividades reduzidas, o papel esteve em falta em todo o mundo. Tal fato dificultou inúmeros negócios, como: logística, e-commerce e até fabricação de móveis.
“O que ocorreu não foi por uma deficiência do setor, mas por algo macro, onde houve problemas de fluxos logísticos mundiais porque todos precisaram parar. O que mostra a importância do setor para mercado e a economia mundial”, explica Sandri.
SUSTENTABILIDADE
O papeleiro também tem fundamental importância quando se fala em sustentabilidade. “O papel nasceu no conceito de economia circular. Quando foi inventado, no ano 105, ele foi feito para reaproveitar a casca de amoreira, os trapos de roupas e outros materiais”, lembra o diretor técnico do SINPACEL.
Além disso, diferentemente de outros produtos, a reciclagem é uma realidade fundamental nos processos que envolvem a fabricação do papel. “Hoje são reciclados mais de 5 milhões de toneladas de papel por ano no Brasil, o que representa aproximadamente 70% do papel consumido no nosso mercado. Tudo o que é coletado é reciclado e reutilizado na indústria. Se coletar mais, será utilizado mais ainda”, conta.
Por isso, o setor investe em processos que incentivam a correta destinação, coleta, separação e envio do material para a reciclagem “O sistema de logística reversa e a economia circular, é ponto fundamental neste processo e deve ser sempre revisado. Afinal, a própria Política Nacional de Resíduos Sólidos já define que todos têm a responsabilidade compartilhada”, explica Sandri.
INOVAÇÃO
Mas os investimentos vão além e apoiam pesquisas para o desenvolvimento de novas tecnologias e produtos derivados da fibra vegetal que atendam as perspectivas do futuro. “O papeleiro também precisa buscar essa inovação para dar respostas e, muitas vezes, estar à frente com soluções e proposições inovadoras para a sociedade”, disse.
Estima-se que os maiores produtores de papel do país invistam em média 0,5% do seu faturamento bruto em pesquisas e inovações para o setor. São investimentos tanto em maquinários mais eficientes para redução de custos como no desenvolvimento de novas tecnologias e produtos mais sustentáveis e viáveis.
“Hoje em dia uma empresa não sobrevive sem inovação e esse percentual é contínuo. Pode ser um pouco maior ou menor, dependendo do porte da empresa, mas ele efetivamente precisa acontecer”, conta Sandri.
Esta é a perspectiva para o futuro: muita inovação capaz de adequar tanto a profissão quanto os produtos às novas necessidades da sociedade e aos conceitos de sustentabilidade. “Tem muita coisa acontecendo hoje e, apesar de a gente imaginar que a fibra do pinus e do eucalipto estarão sempre presentes por serem renováveis, a transformação sempre acontece. A sociedade espera por embalagens mais efetivas, mais leves, sustentáveis e o papeleiro está muito atento à essas novas demandas”, finaliza o diretor técnico da Sinpacel.
*Fernando Wagner Sandri é Engenheiro Químico, Diretor de Tecnologia IBEMA, Diretor Técnico Sindicato das Indústrias de Papel e Celulose do Paraná – SINPACEL, Conselheiro Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel – ABTCP e Conselheiro da Associação Brasileira de Embalagens – ABRE.
Recente estudo revela: organizações responsáveis não devem desrespeitar o direito dos consumidores de escolher se recebem comunicações em papel ou digitais.
Há uma tendência entre as organizações de migrar a comunicação com seus clientes do formato impresso para o digital, particularmente contas e extratos. Normalmente, o motivo dessa decisão é a redução de custos, mas, na maioria das vezes, elas alegam que a escolha está pautada em questões ambientais, utilizando-se de alegações enganosas sobre a sustentabilidade e a produção do papel. A essa prática dá-se o nome de “greenwashing”.
Um estudo recente, conduzido pela organização sem fins lucrativos Two Sides e pela empresa de pesquisa independente Toluna, buscou entender a mudança da percepção dos consumidores em relação à impressão e ao papel. O estudo constatou que a maioria esmagadora dos consumidores brasileiros (74%) acredita que deveria ter o direito de escolher como recebe comunicações provenientes de organizações financeiras e prestadores de serviços (de forma digital ou impressa).
O direito de escolher
São os membros mais vulneráveis da sociedade que dependem dos meios tradicionais de recebimento de boletos, extratos e outros documentos pois não têm condições de acessá-los em casa e imprimi-los. Além disso, muitos brasileiros não possuem conta corrente e, portanto, necessitam das contas impressas para realizar seu pagamento. A mudança para uma sociedade online pode deixar os idosos, os deficientes, os moradores rurais e aqueles de baixa renda desconectados e com dificuldades em cumprir com seus compromissos financeiros.
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Fonte: Two Sides